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Agradecimentos especiais Fábio..." Da essência partida ao meio formaram-se dois, amigos" :D

Para Adelaide Viana Pereira
Ventava muito naquela cidade, aqueles dias, pensou ela enquanto soprava o café. Ela o matara. Não sentia remorso ou medo. Sentia-se leve. Não sentia culpa, o que fizera foi pra se defender. Ninguém poderia culpá-la. Colocou mais um punhado de açúcar do pacote. Só usava esses açúcares em pacotes em lanchonetes. Ela o matara e sorria por isso. Louca, desvairada, psicopata. Ela matara o amor.
E descobriu que podia sobreviver. Ela se descobriu forte. Ela soube que era mais, descobriu-se totalmente diferente daquela que contara entre lágrimas para seus travesseiros, sem nunca falar. Ela que tanto ouvira "vai passar" e nunca acreditara, descobriu sozinha. Olha, passou. Um dia se viu no espelho e era outra. Gostou da outra. Resolveu se arrumar e trocou de pele. Deixou sua velha roupa e sua velha cabeça pra trás. Só não notou que com ele foi o amor.
Assustada, ela tentou colá-lo de volta. Que seria dela sem o amor, ela que tantas vezes havia dito que só tinha aquilo na vida? Mas não, o amor não queria colar nela. Queria sufocá-la, estrangulá-la. Ah, mas isso não. De novo não! Já lhe ferira demais. Pois ela resolveu matá-lo. Ficou parada, inerte, indiferente. Olhou em outra direção. O amor murchou, definhou, morreu. E ela sorriu vitoriosa.
Mas por quanto tempo? Saíra vitoriosa, mas valera a pena carregar tantas cicatrizes? Ela se descobriu outra, e não gostou dessa outra. Não parecia nada com ela essa outra que andava cabisbaixa. Aí ela resolveu ser mais outra e ergueu a cabeça.
E ela se descobriu outra quando ao erguer a cabeça, viu outro olhar.
Sorriu pro seu café de novo e bebeu-o todo de um só gole. Estava frio demais. Deixou o dinheiro no pires e saiu da lanchonete, atarefada que estava. Mas ao sair, deixou que o vento sacudisse seus cabelos. Como ventava naquela cidade ultimamente! Deixou a brisa levar tudo que ela já havia sido e sorriu. Descobrira um novo olhar, e olhou-se novamente com novos olhos. E ela se fez outra, e tão linda como nunca fora. Ela matara o amor, sem remorsos, porque sabia que o Amor, esse nunca morreria dentro dela. E saiu andando. Louca, desvairada, psicopata. E feliz, imensamente feliz, mais uma vez.
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Mais um texto com dedicatória. Que coisa, não? x) Amo-te, loira!

O meu maior medo pode parecer ridículo
Até mesmo absurdo
Riam, podem rir
A loucura é mesmo uma piada
Até a vida é uma piada (sem graça)
Mas que me faz sorrir
Tenho horror à insanidade
Medo de não conseguir voltar
Enclausurar-se no labirinto dos sonhos
E a lucidez se apaga
Perde-se a razão no fim do túnel
A escuridão do próximo passo em falso
Cambaleia a mente,
Entre a demência colorida e o amarelo sorriso da normalidade
Os loucos são mais felizes
Não sabem que loucos são
E o meu medo faz de mim normal por saber ou louca por sentir?
Sou bêbada como os insanos
Mas acordo na ressaca enquanto dormem os demais
E ao seu lado na cama um alguém
Riem, podem rir
O amor é mesmo o distúrbio mais crônico
A pandemia que eles buscam a cura
Mas que mata se um dia curar
É o verme necessário
O eletrochoque
Mas quando o alguém desperta
Ninguém sorri
A saudade é mesmo a falta daquilo que nunca se teve
O tempo
Mas o ponteiro dissimulado ilude
Ilusão de poder
Eu ri, ri de mim
A música é mesmo um excesso de letras de quem tem muito pra dizer
Mas não sabe o que
Eu é que não troco minha certeza do nada
Pela possibilidade vaga de um tudo
Não quando esse vazio preenche minha alma
E esse todo pára meu pulso
Riam, podem rir
A loucura é mesmo uma piada
A vida é uma piada
A mais sem graça
A que mais me faz sorrir
E que gargalhem os loucos.
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Milagres acontecem =DDD
Fazia muito tempo que eu nao escrevia nada. Esse texto foi a ressaca de um pesadelo que tive ontem. Tomara que alguém goste!
Saudades imensas do Casulo.
Beijão.
Márcia, vulgo feto.

Para Hugo César Lima
A casa era uma faca.
Ele olhava ao redor e tudo estava fora de lugar. A TV na sala, os sofás que a contemplavam, os livros nas estantes, os pratos nos armários da cozinha. Tudo fora de lugar. Ele sentia como que uma febre, uma inquietação agoniante e se sentava na poltrona branca, as pernas encolhidas, os pés metidos em meias pretas. Estava frio e ele sentia como que uma febre. Tudo estava fora de lugar.
Aquela meticulosidade de arrumação e limpeza não era dele. A casa era vidro, metal e branco, uma brancura ofuscante que o angustiava. Tudo era calma e nada estava no lugar. A casa arrumada com esmero por alguém, e ele revirado por dentro, a mais completa desordem. E só. Por dentro ele era xícaras sem asas, espelhos trincados, livros rasgados e CDs espalhados pelo chão. As janelas estavam escancaradas, mas os olhos dele só enxergavam cortinas.
A casa era uma gaiola de porta aberta e ele, passarinho estocolmado. Tinha medo demais, era grande demais e tinha as asas amputadas. Mas odiava a gaiola e a ração de alpiste e água. Ele depenava e definhava e sobrevivia. Ele morria.
Ele não estava ali, não era o seu rosto naqueles reflexos. Perdera a face há muito tempo em algum espelho.
Ele era desespero e silêncio e uma apatia desgraçada. Seu rosto e sua garganta estavam secos. Ele morria. Ele queria mas não se movia. Ele implorava e seu rosto, impassível. Seu sangue estava frio como os azulejos. Ele morria. Esticou as pernas e sentiu o peso sob as meias. Levantou-se. Alguém abriu a porta.
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Enfim, de volta! Perdão pela longa ausência, mas o rojão tá duro pra mim e principalmente pro Feto, então paciência aí =) Esse texto não tem muita a ver coisa comigo - atualmente - e nem com Hugo - acho - mas dedico a ele que me emprestou a caneta e foi o primeiro a l~e-lo - pra variar, no meio da aula.
Saudades do Casulo ^^
Abraços!
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Alguém aí foi à Feira do Livro de São Luís? Só fui dois dias, e o segundo exclusivamente para ver o sarau de Chico César. Uma apresentação brilhante, aliás, que nem uma súbita mas breve falta de energia pôde apagar. Chico fez uma performance palpitante com declamações incríveis acompanhadas de uma mostra de seu versátil talento como instrumentista. Eu, sem exageros, fiquei extasiado. Pena que nem todos pensaram assim. O secretário municipal de cultura, sentado na primeira fila, de frente para o artista, dormiu. Sim, dormiu. Uma boa parte do espetáculo. A cabeça chegava a pender (e a minha vergonha também). Uma pena para ele, perdeu uma das poucas atrações realmente significativas trazidas por ele para a Feira.
Tradicionalmente, na época da Feira do Livro, estou ainda mais sem dinheiro do que de costume e esse ano não fugiu à regra. Ainda assim, sempre fui em quase todos os dias para me deleitar com palestras, oficinas e conversas extraordinárias. Saí com a mente e alma transformadas depois de muitas dessas e lamentei não poder ir a algumas. Esse ano, a coisa foi diferente, porém. A estrutura da feira estava ótima, mas a programação, rasa. Em vários aspectos. O supracitado secretário declarou que eles não quiseram trazer as pessoas de sempre - uma justificativa extremamente vazia que não conseguiu esconder a real: um corte orçamentário gigantesco.
E por que isso deveria nos surpreender? A prefeitura de São Luís, responsável pela realização do evento, encontra-se ocupada por um senhor que sempre demonstrou por suas ações um desrespeito enorme com a cultura e a educação. Pensem em quão estapafúrdio deve soar aos seus ouvidos e aos de sua corja desperdiçar 2 milhões de reais com livros? Que disparate! Que disparate termos colocado pessoas assim sobre nossas cabeças. Mais uma vez, o absurdo da política maranhense me faz tecer elogios à políticos ruins, frente a políticos piores: não se negue, o antecessor sabia fazer pão-e-circo.
Só que não dá para nos contentarmos com isso, e decididamente não dá para nos contentarmos com ainda menos. Reajamos, lutemos! Ou mostramos a nossa cara, ou fazemos ouvir a nossa voz, ou estaremos legitimando o que de nós é feito. Estaremos arcando com um prejuízo que vai para muito além de uma Feira do Livro meia-boca. Continuamos como marionetes e nas mãos daqueles que menos indicados para manipular alguém.
O episódio tragicômico da apresentação de Chico César me lembrou que nós precisamos manter os olhos arregalados; aqueles que deveriam olhar por nós estão todos dormindo. Escrevo isso tudo porque tenho ainda em mim uma esperança que não morre de que o grito do povo seja um dia o cantar do galo!