
Depois de um mês o choro deixa de doer em desespero. Mostra-se uma calma constante. Uma dor contida escorre pelos olhos. As perguntas da última revolta ainda não foram respondidas e acredito que, em vida, nunca serão. Mas agora são indagadas por pensamentos completos e com nexo. A mente já não grita mais injúrias e lamentações. Trinta dias nos ensinam que nem todos os erros precisam de culpados. Pois é isso que a morte é, um erro de cálculo, um deslize da criação. E ninguém que me venha dizer que Deus foi desumano ao ponto de planejar esse fim sem sentido. Que é a punição pelos pecados que um embrião ainda não cometeu. E quem garante ao juízo final que eles serão cometidos? Culpados antes do crime, condenados e punidos antes do julgamento. Não se tem voz de defesa. O direito vira o dever de calar. Tudo por um fruto que eu nem pude provar. Qual o sabor do pecado?
A pior dor é que não se entende. E as explicações que me são dadas não me sustentam. Será essa a nossa semelhança, a desumanidade? Morrer é um acidente de percurso. Um imprevisto na eternidade que nos aguardava. Não faz parte dos planos da vida. Eu tento, mas não consigo ver a morte por uma perspectiva menos cruel. Não há céu que me seduza.
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"A explicação divina para a morte é simples: reciclagem de matéria orgânica." (palavras do twiiter @OCriador)
Essa frase me fez rir, resolveu parcialmente essas minhas angústias e fez meu texto parecer no mínimo desnecessário hsuahsa. Bjão pessoas :)
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O meu maior medo é a solidão
O meu maior medo é a solidão. Não a solidão do teto branco do meu quarto que eu procuro às vezes; tenho medo de ficar só. Tenho medo do nada. Sou só barulho por dentro, mesmo imerso em quietude por fora, festas, mil vozes que algazarram, não me deixam dormir em algumas noites. Me incomodam em algumas noites. Mas meu medo mais profundo é que elas se calem.
Não tenho medo do abandono, não tenho medo que me deixem. Tenho medo de eu mesmo arrancar tudo e jogar fora. Arrancar todos. Tenho medo de que eu continue sempre a ferir as pessoas que eu amo, como sempre fiz, e que essas feridas se tornem tão dolorosas e essa dor tão incurável, que eles se vejam obrigados a não dar a mão quando eu estender. Tenho medo de que a minha mão penda no vácuo para sempre a próxima vez que eu quiser apertar outra mão, que eu implorar socorro, que eu mendigar. Tenho medo de que me digam “Minha paciência tem limites!” quando eu sempre andei a testar todos os limites de todas as paciências – menos da minha.
Eu tenho medo porque sei que raras vezes eu aperto a mão dos meus amores com força pra mantê-los junto de mim. Tenho medo porque não sei se eles entendem que o meu abraço mal correspondido tem o peito aberto. Tenho medo porque minha boca está sempre tão afastada do meu coração e sente tanta dificuldade em traduzi-lo... tenho medo que meus amores queiram se segurar em mim pra não se afastarem e onde eu quiser que haja troncos fortes para eles, só existam galhos secos. Tenho medo de não saber arar a terra e preparar o jardim pra que eles plantem suas sementes. Tenho medo de morrer pra eles, morrer pra vida.
São tantas as coisas que matam. São tantos os cadáveres nessa vida e tantas as mortalhas que eu tenho medo de me deixar atrair pelo seu falso brilho que, meu Deus, por vezes é tão sedutor. Tenho medo de ternos, de metais e de falas emproadas. Tenho medo do poder, dum degrau alto demais numa escada feita de isopor. Tenho medo do espelho e dessas mil máscaras que se oferecem como putas para que eu as apanhe e as use até enjoar delas e só muito depois perceber que na verdade eu me consumi – quando já não houver mais rosto para máscara nenhuma esconder.
Por isso escrevo essa confissão, na sozinhez do meu quarto (porém nunca solidão), que tenha força de oração. A vocês, meus amores: que sua tolerância continue infinda embora a minha seja tão pouca; que os abraços, os beijos, os risos e os choros continuem os mais sinceros, apesar de eu por vezes dissimular os meus; que a vida continue a ser vida enquanto vida houver; que a sozinhez nunca seja solidão; que os barulhos nunca se calem. Amém.
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Tô afastado, mas não morri! =] Até que enfim minhas férias (de uma semana e meia, mas são férias!) chegaram e cá estou eu assoprando a poeira do Casulo. O texto acima... digamos que não é totalmente autobiográfico. Uns 98% :)
Até agora, 2010 tem sido de muita felicidade! Mas vou deixar a própria Feto falar disso futuramente. Guria, parabéns! Tô muito feliz por ti!
E por vocês também, Alanna e Bittencourt!
Saudades que eu tava daqui.
Abraços!
Pra onde vai?
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Agradecimentos especiais Fábio..." Da essência partida ao meio formaram-se dois, amigos" :D
A morte e o vento

Para Adelaide Viana Pereira
Ventava muito naquela cidade, aqueles dias, pensou ela enquanto soprava o café. Ela o matara. Não sentia remorso ou medo. Sentia-se leve. Não sentia culpa, o que fizera foi pra se defender. Ninguém poderia culpá-la. Colocou mais um punhado de açúcar do pacote. Só usava esses açúcares em pacotes em lanchonetes. Ela o matara e sorria por isso. Louca, desvairada, psicopata. Ela matara o amor.
E descobriu que podia sobreviver. Ela se descobriu forte. Ela soube que era mais, descobriu-se totalmente diferente daquela que contara entre lágrimas para seus travesseiros, sem nunca falar. Ela que tanto ouvira "vai passar" e nunca acreditara, descobriu sozinha. Olha, passou. Um dia se viu no espelho e era outra. Gostou da outra. Resolveu se arrumar e trocou de pele. Deixou sua velha roupa e sua velha cabeça pra trás. Só não notou que com ele foi o amor.
Assustada, ela tentou colá-lo de volta. Que seria dela sem o amor, ela que tantas vezes havia dito que só tinha aquilo na vida? Mas não, o amor não queria colar nela. Queria sufocá-la, estrangulá-la. Ah, mas isso não. De novo não! Já lhe ferira demais. Pois ela resolveu matá-lo. Ficou parada, inerte, indiferente. Olhou em outra direção. O amor murchou, definhou, morreu. E ela sorriu vitoriosa.
Mas por quanto tempo? Saíra vitoriosa, mas valera a pena carregar tantas cicatrizes? Ela se descobriu outra, e não gostou dessa outra. Não parecia nada com ela essa outra que andava cabisbaixa. Aí ela resolveu ser mais outra e ergueu a cabeça.
E ela se descobriu outra quando ao erguer a cabeça, viu outro olhar.
Sorriu pro seu café de novo e bebeu-o todo de um só gole. Estava frio demais. Deixou o dinheiro no pires e saiu da lanchonete, atarefada que estava. Mas ao sair, deixou que o vento sacudisse seus cabelos. Como ventava naquela cidade ultimamente! Deixou a brisa levar tudo que ela já havia sido e sorriu. Descobrira um novo olhar, e olhou-se novamente com novos olhos. E ela se fez outra, e tão linda como nunca fora. Ela matara o amor, sem remorsos, porque sabia que o Amor, esse nunca morreria dentro dela. E saiu andando. Louca, desvairada, psicopata. E feliz, imensamente feliz, mais uma vez.
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Mais um texto com dedicatória. Que coisa, não? x) Amo-te, loira!

O meu maior medo pode parecer ridículo
Até mesmo absurdo
Riam, podem rir
A loucura é mesmo uma piada
Até a vida é uma piada (sem graça)
Mas que me faz sorrir
Tenho horror à insanidade
Medo de não conseguir voltar
Enclausurar-se no labirinto dos sonhos
E a lucidez se apaga
Perde-se a razão no fim do túnel
A escuridão do próximo passo em falso
Cambaleia a mente,
Entre a demência colorida e o amarelo sorriso da normalidade
Os loucos são mais felizes
Não sabem que loucos são
E o meu medo faz de mim normal por saber ou louca por sentir?
Sou bêbada como os insanos
Mas acordo na ressaca enquanto dormem os demais
E ao seu lado na cama um alguém
Riem, podem rir
O amor é mesmo o distúrbio mais crônico
A pandemia que eles buscam a cura
Mas que mata se um dia curar
É o verme necessário
O eletrochoque
Mas quando o alguém desperta
Ninguém sorri
A saudade é mesmo a falta daquilo que nunca se teve
O tempo
Mas o ponteiro dissimulado ilude
Ilusão de poder
Eu ri, ri de mim
A música é mesmo um excesso de letras de quem tem muito pra dizer
Mas não sabe o que
Eu é que não troco minha certeza do nada
Pela possibilidade vaga de um tudo
Não quando esse vazio preenche minha alma
E esse todo pára meu pulso
Riam, podem rir
A loucura é mesmo uma piada
A vida é uma piada
A mais sem graça
A que mais me faz sorrir
E que gargalhem os loucos.
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Milagres acontecem =DDD
Fazia muito tempo que eu nao escrevia nada. Esse texto foi a ressaca de um pesadelo que tive ontem. Tomara que alguém goste!
Saudades imensas do Casulo.
Beijão.
Márcia, vulgo feto.